Começa o ano e as movimentações de bastidores para as eleições municipais se descortinam, porém sob um cenário não muito favorável à figura do político brasileiro. Ele parece não querer mais impor credibilidade aos eleitores, estes já ressabiados por tantos exemplos de descasos comprovados pelos meios de comunicação de massa. Assim, impera um verdadeiro desânimo – eu afirmaria que até uma ojeriza – entre todos os cidadãos desse país quando têm que votar, pois este ato deixou de ser direito e passou a ser visto como um ritual qualquer, desses que realizamos mecanicamente. Uma obrigação desnecessária, diriam os mais pessimistas.
Por outro lado, no meio desse terrível lamaçal que é a política brasileira, não consegui – posso estar comentar uma injustiça – encontrar um político que também fosse reconhecido como bom administrador. A idéia que eu faço a respeito dos partidos políticos é de que a pessoa escolhida para ser ocupar um cargo eletivo deve possuir inúmeras virtudes, exceto ser bom administrador. Será que os bons administradores não servem para a política? Claro que o vereador, o prefeito, o governador, o deputado, o senador ou o presidente, eles não precisam ter o conhecimento técnico a respeito de tudo que se refere à gestão pública e por isso mesmo devem ter a preocupação em montar sua equipe de governo com pessoas qualificadas naquilo que a cidade, o estado e o país precisam como solução para os seus ínumeros problemas. Cercar-se dessas pessoas e propiciar à sua equipe condições favoráveis de trabalho já seria um bom começo. Cobrar metas já nortearia o caminho ideal. Uma tecnocracia, dirão alguns. Se isso der bons resultados, que seja, então, uma tecnocracia.
No entanto, sabemos que não é bem assim que a coisa funciona. O político-mor, o vencedor das eleições, sentará em seu gabinete e procurá dividir seu governo com outros políticos de sua mesma linhagem, loteando cargos baseados em critérios de apadriamento político, buscando honrar o compromisso assumido com grupelhos partidários fisiologistas. Começa, pois, uma gestão fragilizada tendo como moeda o “toma lá, dá cá.”. Portanto, não há lugar para a implantação do conhecimento técnico quando se pensa em gerir a vida política local ou nacional. Planejamento, então, nem pensar!
Desse modo, com o fracasso dos políticos tradicionais na condução de seu mandatos, abriu-se uma grande lacuna que permite o surgimento de aspirantes a homens públicos, muitos deles geralmente pessoas egressas dos meios de comunicação e tal qual messiânicos apregoam promessas utópicas em troca de votos dos descontentes com a classe dirigente. Possuem projeto de governo? Que nada! São provas de que a demagogia, o populismo e o assistencialismo estão vivos, ora reciclados sob os ensinamentos de marketing pessoal. Prometem o melhor governo para todos de uma forma tão singela que meu senso crítico teima em sucumbir ante ao apelo emocional, fruto de uma estudada e convincente representação teatral. Na briga pelo voto vale chorar, fazer gincana para distribuir uns míseros trocados, sortear cestas básicas, pagar dívidas de terceiros, reclamar sempre dos serviços públicos, converter-se em praticante de alguma seita religiosa, invocar despudorosamente o nome divino, fazer discursos inflamados por justiça social e bem estar de todos… A desinformação popular somada a esta representação desses candidatos faz com seja criada uma falsa sensação de desta vez não teremos problemas de condução política. Quanta ilusão!
Alguém pode estar pensando: esses candidatos são cidadãos brasileiros no pleno gozo de seus direitos políticos e não surgiu até a presente data fato que os impeça de pleitear uma vaga na disputa eleitoral. Claro que eles têm esse direito! Nós eleitores é que teremos o dever de nos instruirmos para não mais cair em ciladas. Sempre que o discurso de conforto for mais importante que o confronto de idéias, a sociedade estará fadada a ser governada por pessoas despreparadas para exercer o poder. Pense nisso!
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