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SOTEROPOLITANO OU SALVADORENSE

24 Fevereiro, 2008 Davidison Deixe um comentário
Afinal, este blog é um noticioso tipicamente soteropolitano ou salvadorense? Esta questão tem rendido discussões acaloradas mais do que as provocadas pelas paixões futebolísticas de nossa cidade.  Acadêmicos, historiadores, lingüistas, gramáticos, dicionaristas, autoridades políticas e até o povo simples, quando por mim consultados defendem ao seu modo um ou outro gentílico para se referir à capital da Bahia, esta  cidade-fortaleza de dois andares e muitos molejos.
O comum na formação de gentílicos é o nome do lugar  acrescido de sufixo “ense”. Algumas cidades adotam uma outra  mais erudita, ou seja, o seu gentílico se forma através de radicais gregos ou latinos,  a exemplo de fluminense, para o estado do Rio de Janeiro (do latim flumen, “rio”, uma vez que os antigos navegadores pensavam que a baía da Guanabara fosse um grande rio) ou tricordiano, para a cidade de Três Corações, em Minas Gerais (do latim tri, “três” e cordis, “coração”). Outras resolveram adotar as duas formas, como São Luís, no Maranhão. Seus habitantes tanto podem ser são-luisenses ou ludovicenses (do latim Ludovicus que mais tarde deu origem ao nome Luís). Salvador parece que resolveu “helenizar” seu gentílico e em grego seria Soteropolis (na última flor do Lácio seria Soterópolis), que segundo Caldas Aulete seria soter, salvador e polis, cidade. Já o dicionário Aurélio registra a forma salvadorense como sendo natural ou habitante de Salvador, Bahia, porém o seu uso  foi abandonado em favor do erudito. E ai de mim  se eu utilizar salvadorense para se referir à nossa capital. Não tenho direito a me defender, a dizer que creio ser correto usar esta maneira. Para não ser massacrado, este blog está utilizando a forma erudita, porém seu redator sempre fica tentado a usar a outra forma.
Então, qual seria a definitiva? Soteropolitano? Salvadorense? Ambas as formas?  Uma criança de sete anos, na sua ingenuidade característica, parece resolver este problema, por enquanto:
- Ué, quem nasce em Salvador não é baiano?
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