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HOJE É DIA DA INDEPENDÊNCIA DA BAHIA

Hoje é feriado na Bahia, em virtude da comemoração da nossa data de Independência. Independência? Como assim? Nos separamos do Brasil? Somos um país soberano? Podemos disputar as eliminatórias da Copa do Mundo? Nada disso! O 2 de julho é, resumidamente, uma comemoração à vitoria das tropas brasileiras frente às lusitanas, o que consolidou a separação definitiva do Brasil do domínio português. Após muitas lutas, em 2 de julho de 1823 o exército libertador, formado por oficiais brasileiros e por populares, entrou nas velhas ruas empoeiradas de Salvador, que então era ocupada pelo exército inimigo, tomando-a de volta e consolidando de uma vez por todas a independência proclamada a 7 de setembro do ano anterior, pelo príncipe D. Pedro I.

A data de hoje transforma-se numa grande festa de participação popular. Diferentemente do carnaval, esta tem um caráter cívico, onde a população celebra e reverencia esta data, que finalizou em 1823 uma guerra travada ao longo dezessete meses. Sim, dezesete meses! Guerra em sentido literal, com batalhas, mortes, destruição, cerco, sangue, dor… Claro, não pode deixar de existir os heróis, quase todos oriundos das camadas pobres dos residentes do século XIX, cultuados até hoje com enorme carinho pelos baianos: Maria Quitéria, João das Botas, Corneteiro Lopes são alguns exemplos de uma história que o Brasil pouco conhece.

O fato é que a independência do Brasil não ocorreu assim ao estalar dos dedos. O historiador Evaldo Cabral de Mello, no seu livro A outra independência, mostra que a separação do Brasil de Portugal tem duas faces: a negociação, que envolveu as então províncias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e uma outra de luta armada envolvendo as províncias onde hoje estão instalados os estados da região nordeste. Em relação à Bahia, tudo começou em fevereiro de 1822, quando os militares portugueses decidem não permitir a participação de militares brasileiros no comando da outrora Província da Bahia e pedem a Lisboa que o general Luís Madeira de Mello, ferrenho defensor da monarquia absolutista da Metrópole, seja nomeado Comandante das Armas da Bahia, cargo equivalente a governador. Os oficiais brasileiros instalados em Salvador e a população da cidade não concordaram com esta nomeação, preferindo que o posto fosse ocupado por um brasileiro.

Começa a resistência – A Província da Bahia no século XIX era rica, tendo como principais produtos o açúcar, gado e fumo, produtos estes de grande valor no mercado internacional, sendo o Recôncavo Baiano* o berço da produção. Os municípios que formavam essa região rechaçaram as ordens de Madeira de Mello, fechando relações comerciais com a Capital. O general português viu-se isolado pelos donos de terras, de plantações, de escravos, ou seja, a elite da época. A cidade, já com fortes sintomas de desabastecimento, viu sua população mergulhar na fome e passa a testemunhar o estranhamento entre brasileiros e portugueses, enquanto os municípios do Recôncavo formam forças organizadas com intuito de retormar Salvador. Foram meses de batalhas e finalmente os comandados pelo então coronel Lima e Silva – mais tarde Duque de Caxias – entraram vitoriosos na cidade conquistada em 2 de julho de 1823. Eram soldados oriundos de Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, baiano escravo, filho de escravo, branco pobre, sertanejo, caboclo, filho de Cachoeira, São Félix, Santo Amaro, Maragogipe, Nazaré… Madeira de Melo tinha batido em retirada. Em novembro desse mesmo ano foi preso, apontado como o único responsável pela derrota das tropas portuguesas em território brasileiro. Hoje é dia de festa! É 2 de Julho na Bahia!

*Recôncavo Baiano é uma região geográfica, localizada no entorno da Baía de Todos os Santos. É composta hoje pelos municípios de Conceição do Almeida, Sapeaçu, Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Salinas da Margarida, Muniz Ferreira, Nazaré, São Felipe, São Félix, Dom Macedo Costa, Governador Mangabeira, Muritiba, Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Santo Amaro, Saubara, Conceição do Jacuípe, Terra Nova, Amélia Rodrigues e Teodoro Sampaio. Há quem defenda a inclusão dos municípios da Região Metropolitana de Salvador nessa região. Assim, Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Simões Filho, Candeias, Dias d’Ávila, Vera Cruz , São Francisco do Conde, Itaparica, Madre de Deus, Mata de São João e São Sebastião do Passé passam fazer parte do Recôncavo.

A fonte para a informação histórica contida nesta postagem se baseou na entrevista do historiador Luís Henrique Dias Tavares para a Revista Pesquisa Fapesp. A informação para o Recôncavo Baiano e o mapa foram extraídos da Wikipédia.

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  1. Jaqueline
    2 Julho, 2008 às 10:51 am | #1

    Muito bacana sua matéria, porque a maioria dos baianos nem sabe ao certo o significado desta data, apenas acham ótimo passar o dia “de bobeira”. Parabéns!

  2. Valter Almeida Santos
    7 Julho, 2008 às 12:03 pm | #2

    Deveria ser comemorado nacionalmente !

  3. antonio de padua
    9 Julho, 2008 às 11:13 am | #3

    Muito boa a materia. Este Brasil que nao se conhece e nao se reconhece. Fizesse isso, diminuiria, ou até mesmo acabaria ocm o preconceito com os nordestinos

  4. 10 Julho, 2008 às 7:27 pm | #4

    tgfgfcvxcvtrfuytjmbhmb

  5. rodrigo
    24 Julho, 2008 às 5:20 pm | #5

    legal ae essa reprtagem
    fiz uma pesquisa com base nela
    vlewwwwwwwwwwwww

  6. Emanuel Alves
    9 Setembro, 2008 às 6:30 pm | #6

    Deveriam valorizar mais São Francisco do Conde pois a batalha começou lá e o Município mais rico do brasil e rico também em história está sento esquecido na sua etinia e excencia por todos primcipalmente pelos historiadores

  7. PPoo
    6 Maio, 2009 às 2:20 pm | #7

    tinha q ser coisa de bahiano

  8. 4 Junho, 2009 às 5:35 pm | #8

    adrei a matéria mais adorria se fosse falado mais sobre a minha rica e querida cidade onde também se passou uma parte da independecia da bahia!!!!!!!!!!!!!

  9. 2 Julho, 2009 às 5:08 pm | #9

    gostei muito dessa materia obrigado

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