Às vésperas do Carnaval (em Salvador o carnaval começa na próxima quinta-feira dia 16) o prefeito João Henrique(PMDB) deu uma entrevista à Agência Brasil e no seu desabafo acusou o governo estadual de não colaborar no subsídio para a organização da festa. Tal declaração acabou provocando uma crise política que teve seu desdobramento no mundo do axé. Em resumo, Henrique se queixa que não teve apoio financeiro de nenhum dos governadores – o anterior Paulo Souto(DEM) e o atual Jaques Wagner(PT) – para bancar o carnaval salvadorense, cujas despesas estão projetadas em R$ 30 milhões, além de criticar severamente o modelo herdado de seu antecessor na prefeitura, Antonio Imbassahy(PSDB). Disparando para todos os lados, Henrique reclamou até das empesas que animam o carnaval e dos seus trios elétricos, que segundo ele pagam uma pequena taxa e têm um enorme lucro com a festa. Inclusive os trios chamados independentes, aqueles que tocam para a multidão, sem vínculo com algum bloco, caíram em desgraça, já que a prefeitura tem pagar para que esses trios toquem para o folião “pipoca”. Pronto! A entrevista repercutiu e todos as pessoas e entidades citadas se pronunciaram contra as declarações de Henrique, classificando-a de absurda e irresponsável. A turma do DEM, que hoje apoia o prefeito na câmara municipal, está de cabelo em pé; o PT, que está de relações estremecidas desde a campanha eleitoral passada, não fala em outra coisa senão desmentir o que foi dito sobre a falta de ajuda; Paulo Souto e Imbassahy ajustaram o discurso para afirmar que não era bem assim na época deles, enquanto o empresariado que dita os rumos do axé prepara sua versão de defesa. Para piorar a situação, Henrique fala em um trecho do depoimento que retirava dinheiro da merenda escolar e da saúde par bancar o carnaval. Uma bomba! Voltou atrás, disse que não disse. Mas disse! Confira trecho da entrevista. Tire suas conclusões.
Comentário – Ainda que mostrando destempero, o prefeito tem suas razões. Para manter funcionando uma estrutura que garanta seis dias de folia existe um preço a ser pago. Para piorar, a crise financeira veio, mnguando as cotas de patrocínio que a prefeitura pretendia vender. Quem vai, agora pagar por toda essa estrutura? O pobre contribuinte baiano, folião ou não. Por outro lado, Henrique deu munição aos seus adversários políticos ao afirmar que retirou em outras épocas recursos da merenda e da saúde para fechar as contas de nosso carnaval. Pecou ainda em procurar desdizer.
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